quinta-feira, 18 de abril de 2013

Rev. Hernandes Dias Lopes falando sobre Homofobia

 

 Simples e direto!

"O problema hoje é querer que um cristão aceite como natural, como normal, como legítimo, aquilo que os princípios de Deus não permitem... "

"...Nós cremos que a Bíblia, palavra de Deus, é uma verdade absoluta, não é sujeita a essa ou aquela cultura, não é a cultura que valida a Escritura, a Palavra de Deus, mas é a Palavra de Deus que julga as culturas, de tal forma que o casamento como Deus instituiu tem algumas características, ele é heterossexual, ele é monogâmico e é monossomático..." Rev. Hernandes Dias Lopes.
 
 
 
Por Hernandes Dias Lopes
Monogâmico - o homem deve deixar pai e mãe para unir-se à sua mulher.

Monossomático - os dois tornam-se uma só carne, ou seja, podem desfrutar da relação sexual com alegria, santidade e fidelidade.
O movimento LGBT acusa a igreja evangélica de ser homofóbica e sai às ruas em passeatas, estendendo bandeiras e gritando palavras de ordem, exigindo a aprovação da PL 122, que visa criminalizar aqueles que discordam da relação homo-afetiva. A realidade dos fatos é que a intolerância não é dos evangélicos, mas dos ativistas que querem empurrar goela abaixo da sociedade suas práticas em flagrante oposição aos preceitos de Deus, exarados em sua Palavra (Romanos 1.24-28; 1Coríntios 6.9-11; 1Timóteo 1.10).

Os evangélicos não são homofóbicos. Amamos a todas as pessoas sem distinção de raça, credo e sexo. Porém, isso não significa concordar com a prática homo-afetiva. Os cristãos de todos os tempos e em todos os lugares têm um distintivo: aceitam a Bíblia como Palavra de Deus e sua única regra de fé e prática. A prática da homossexualidade não tem nenhum amparo na Palavra de Deus. É uma distorção da criação de Deus (Gênesis 2.24; Mateus 19.3-9).

Para se aprovar essa conduta é preciso relativizar a Palavra de Deus. Porém, a consciência dos cristãos está cativa da Palavra de Deus. Podemos até discordar da Palavra de Deus e rejeitá-la. Podemos até fazer nossas escolhas em oposição a seus preceitos; só não podemos escolher as consequências de nossas escolhas. A Palavra de Deus é peremptória: "Aquilo que o homem semear, isso ele ceifará" (Gálatas 6.7).

 

E se for jovem?


Paul Taylor | Getty Images

E se além de tudo sou jovem? Imagine Paulo, precisando se ausentar da Igreja de Éfeso, para viajar para Macedônia. Então Paulo precisa de um assistente para não deixar a igreja "sozinha". Quem Paulo escolheria? Talvez você imagine que seja alguém forte, experiente e bem comunicativo... Então Paulo escolhe Timóteo, mas quem era Timóteo? Timóteo era alguém jovem, frágil (devido a problemas de saúde -1Tm 5.23) e tímido (1Co 16.8-11, Paulo recomenda que a Igreja em Corinto o trate bem). 
Nesse ponto encontro semelhança com Timóteo, sou jovem, não tenho o dom da oratória e em muitos momentos me sinto frágil. 

Paulo escolheu alguém com estas características, talvez não fosse a pessoa mais indicada aos olhos da Igreja de Éfeso, então Paulo escreve uma carta com uma série de recomendações ao seu assistente, no momento em que percebe que se ausentaria por um longo período. E são estes conselhos que quero compartilhar com vocês:
• Ser um exemplo na palavra, procedimento, fé e na pureza (1 Tm 4.12).
• Ser dedicado a leitura bíblica, mostrando assim, que a autoridade vinha de Deus (1Tm 4.13).
• Não negligenciar o dom de Deus (1 Tm 4.14), assim as pessoas não o rejeitariam, pois perceberiam que o dom vinha de Deus
• Dedicação na obra de Deus, para que as pessoas vejam o seu progresso (1Tm 4.15).
• Observar a sua vida e o que ensinava para verificar se o que ele pregava era condizente com o que vivia (1 Tm 4.16).
• Respeitar os idosos, tratar os jovens com igualdade, e as moças com respeito. Tratando todos com afeição que une os membros de uma família (1 Tm 5.1-2).
Além de destacar estes conselhos, Stott¹ diz que esses conselhos poderiam ser escritos como alertas, da seguinte maneira... 
• Observe o seu exemplo!!!
• Identifique sua autoridade!!!
• Exerça seu dom!!!
• Mostre seu progresso!!!
• Mantenha sua coerência!!!
• Acerte seus relacionamentos!!!
___________________________

¹John Stott - A Bíblia Toda, O Ano Todo pg 379.

Fonte: + Fé - Café

Luciana dos Passos Moreira é cristã da Igreja Metodista, envolvida com teatro na igreja, formanda em engenharia civil, moradora de Ponta Grossa - PR, edita os blogs + Fé - Café e Sal na Net.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

John Piper – Um Amor de Ressurreição Tão Incrível!


.

Por John Piper

Domingo de Páscoa

"Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai." (João 10:17-18)

Por que Jesus diz isso? Por que ele enfatiza sua voluntariedade em morrer? Porque se isso não fosse verdade — se sua morte fosse forçada a ele, se não fosse livre, se seu coração não estivesse de fato nisso — então uma grande interrogação seria colocada sobre seu amor por nós.

A profundidade de seu amor está em sua liberdade. Se ele não morreu por nós voluntariamente — se ele não escolheu o sofrimento e o abraçou — então quão grande é seu amor realmente? Então ele enfatiza isso. Ele deixa explícito. Isso vem de mim, não das circunstâncias, não de pressão, mas do que eu realmente anseio fazer.

Jesus está enfatizando para nós que seu amor por nós é gratuito. Ele parece ouvir alguma calúnia inimiga dizendo: “Jesus não ama a você de verdade. Ele é um mercenário. Ele entrou nessa por outra razão que não amor. Ele está sob algum tipo de obrigação ou compulsão externa. Ele não quer realmente morrer por você. Ele apenas de alguma maneira acabou entrando nessa tarefa e tem de se submeter às forças que o controlam.” Jesus parece ouvir ou antecipar algo assim. E ele responde: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la.” Ele está pressionando nesse ponto para ver se creremos em seu protesto de amor, ou se creremos no oposto — que seu coração não está realmente nisso.

Qualquer um que faz uma afirmação como essa está mentalmente perturbado, mentindo, ou é Deus. Eu tenho autoridade de dentro da morte, como um homem morto, de tomar minha vida de volta quanto eu quiser. Agora qual é o ponto aqui? Bem, o que é mais difícil? Controlar o momento de sua morte, ou dar a si mesmo vida novamente quando já morto? O que é mais difícil? Dizer “eu entrego minha vida por minha própria iniciativa,” ou dizer “eu tomarei minha vida de volta depois que estiver morto”?

A resposta é óbvia. E esse é o ponto. Se Jesus podia tomar — e tomou — sua vida de volta da morte, então ele de fato estava livre. Se ele controlou o momento em que saiu da sepultura, ele certamente controlou o momento em que ele foi para a sepultura.

Então eis o ponto. A ressurreição de Jesus é dada a nós como a confirmação ou a evidência de que ele estava, de fato, livre ao entregar sua vida. E então a ressurreição é o testemunho de Cristo quanto à liberdade de seu amor.

O Significado da Páscoa

De todas as grandes coisas que a Páscoa significa, ela também significa isso: é um grande “Eu quis fazer isso!” por trás da morte de Cristo. Eu quis fazer isso! Eu estava livre. Você vê o quão livre eu estou? Você vê quanto poder e autoridade eu tenho? Eu era capaz de evitá-la. Eu tenho o poder de tomar minha vida e voltar da sepultura. Então, como eu não conseguiria devastar meus inimigos e escapar da cruz?

Minha ressurreição é um brado sobre meu amor por minhas ovelhas: Eu era livre! Eu era livre! Eu escolhi isso. Eu abracei isso. Eu não fui capturado. Eu não fui encurralado. Nada pode me obrigar a fazer o que eu não escolho fazer. Eu tinha poder para tomar minha vida de volta da morte. Quão mais, então, eu poderia evitar meu encontro com a morte!

Eu estou vivo para mostrar a você que eu realmente amei você. Eu amei você livremente. Ninguém me forçou a fazê-lo. E agora estou livre para passar a eternidade amando você com um amor onipotente de ressurreição para sempre e sempre.

Vinde a mim, vós todos pecadores que necessitam de um Salvador. E eu os perdoarei, os aceitarei, e os amarei de todo o meu coração para todo sempre.


Veja outros devocionais da série clicando aqui!

________________________
Por John Piper © 2013 Desiring God Foundation. Usado com permissão. Website em português: www.satisfacaoemdeus.org. Original: Love to the Uttermost (Free eBook for Holy Week). Tradução: www.VoltemosAoEvangelho.com. Original: John Piper – Um Amor de Ressurreição Tão Incrível (Amor ao Extremo 9/9)

sábado, 23 de março de 2013

Lama e vômito – o que aconteceu com a Igreja?



O post de hoje é muito simples. Convido você a ler as palavras do grande apóstolo Pedro, registradas na sua segunda carta, capítulo 2:

1 No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.
2 Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade.
3 Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda.
4 Pois Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, prendendo- os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo.
5 Ele não poupou o mundo antigo quando trouxe o Dilúvio sobre aquele povo ímpio, mas preservou Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas.
6 Também condenou as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo- as a cinzas, tornando- as exemplo do que acontecerá aos ímpios;
7 mas livrou Ló, homem justo, que se afligia com o procedimento libertino dos que não tinham princípios morais
8 (pois, vivendo entre eles, todos os dias aquele justo se atormentava em sua alma justa por causa das maldades que via e ouvia).
9 Vemos, portanto, que o Senhor sabe livrar os piedosos da provação e manter em castigo os ímpios para o dia do juízo,
10 especialmente os que seguem os desejos impuros da carne e desprezam a autoridade. Insolentes e arrogantes, tais homens não têm medo de difamar os seres celestiais;
11 contudo, nem os anjos, embora sendo maiores em força e poder, fazem acusações injuriosas contra aqueles seres na presença do Senhor.
12 Mas eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção!
13 Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar- se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando- se em seus prazeres, quando participam das festas de vocês.
14 Tendo os olhos cheios de adultério, nunca param de pecar, iludem os instáveis e têm o coração exercitado na ganância. Malditos!
15 Eles abandonaram o caminho reto e se desviaram, seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o salário da injustiça,
16 mas em sua transgressão foi repreendido por uma jumenta, um animal mudo, que falou com voz humana e refreou a insensatez do profeta.
17 Esses homens são fontes sem água e névoas impelidas pela tempestade. A escuridão das trevas lhes está reservada,
18 pois eles, com palavras de vaidosa arrogância e provocando os desejos libertinos da carne, seduzem os que estão quase conseguindo fugir daqueles que vivem no erro.
19 Prometendo- lhes liberdade, eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é escravo daquilo que o domina.
20 Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram- se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio.
21 Teria sido melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, depois de o terem conhecido, voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido.
22 Confirma- se neles que é verdadeiro o provérbio: O cão volta ao seu vômito e ainda: A porca lavada volta a revolver- se na lama.

Se, hoje, seu desejo for viver uma vida reta e justa perante Deus, não há como evitar viver de alma aflita. O que 2 Pedro 2 descreve é um cenário que se repete, em nossos dias — e no próprio seio da Igreja: festas, sensualidade, heresias, ganância, devassidão, difamação e desprezo por autoridade, regalando-se em prazeres. Enfim, o mundanismo está poluindo o Corpo de Cristo. Quantos cristãos não voltaram para a lama e para o seu vômito de outrora? Como cães e porcos, agimos como se nunca tivéssemos conhecido o Mestre, que tudo perdoou na cruz. Deus não tardará em visitar o seu povo com juízo. Que todos os que ainda se veem de coração tenro para com as coisas de Deus e o mover do Espírito chorem. Os anjos choram. E, enquanto os verdadeiros discípulos se calam, até as pedras clamam por santos de joelhos.

Na paz,
+W

O Facebook e o coração do cristão evangélico


Posted by Eliseu Antonio Gomes 
"O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a boca fala do que o coração está cheio." (Lc 6, 45).
Hoje, em meio ao turbilhão de informações que recebemos, um “ferramenta” que facilita a comunicação e que vem fazendo bastante sucesso entre a massa da população mundial é o Facebook, porém também em contrapartida, através do mesmo recebemos milhares de “lixo mental”, onde muitos internautas utilizam tal meio para fazer postagens sobre novelas, futebol, escândalos políticos, tirinhas, piadas. Ou simplesmente para dar um bom dia ou dizer o que estão fazendo naquele exato momento: “comendo”, “com sono”, “na casa do fulano dando altas gargalhas”. Isso não tem problema algum, mas ONDE FICA DEUS NESSA HISTÓRIA? 
Quero deixar uma ressalva para as pessoa que falam de Deus em suas postagens: Parabéns vocês são poucos!!! 
É ótimo curtir e comentar o que as pessoas postam sobre Deus, mas quando chegará a nossa vez de dar um “Bom Dia Espirito Santo” ou postar um “Jesus Ama Todos Vocês”? Temos que usar os meios possíveis para falar de Deus, fazendo o que é mais de que nossa obrigação para como servos dEle. Alguns talvez considerarão essa postagem muito crítica ou esquerdista radical, porém é necessário ser radica. Falar de Deus é coisa séria. ...  (Continuação da leitura na fonte: O Facebook fala do que o coração está cheio).

Valcinei Xavier da Silva é membro da comunidade UBE Blogs na plataforma Ning.

Teologando: Como usar a internet para promover conteúdo doutrinário

Tiago Santos

tiago-blogs
A fé cristã é um contraponto à caótica visão de mundo do pós-modernismo. Ela é coesa, coerente, histórica, reta, faz afirmação da verdade e é revelada. Ela tem sido transmitida pelo fenômeno do kerygma, da pregação – e a chamo de fenômeno porque sua entrega e aplicação é obra do Espírito Santo de Deus – e também pela prática da instrução pastoral, do ensino na igreja e às famílias cristãs, a catequese.
O puritano Thomas Watson (1620-1686) abre o seu “Body of divinity”, uma obra que se tornou um clássico na importante obra de instruir o cristão em doutrinas importantes das Escrituras, com a seguinte afirmação: “É de suma importância que o cristão seja instruído no fundamento da religião. É o dever dos cristãos se firmarem e se fundamentarem na doutrina da fé”.
Baseando sua obra no Breve Catecismo de Westminster, Watson sintetizou, com a precisão típica dos puritanos de seu período, a essência de toda instrução teológica: “Firmar-se e fundamentar-se na doutrina e fé”. Partindo dessa premissa, ele passa a demonstrar a importância da instrução teológica para uma vida cristã madura e uma fé robusta, capaz de resistir às provas do falso ensino e capaz de levar o cristão ao crescimento e firmeza na fé.
Há muita sabedoria na instrução de Watson. Em suas palavras, ele segue uma tradição antiga e bem sucedida que se consolidou como o método mais eficiente de transmissão de instrução teológica para o povo de Deus: a catequese. Nesse método, um corpo básico da doutrina cristã é transmitido pelo pastor ao rebanho, através de perguntas bem elaboradas e respostas com ampla fundamentação bíblica.  A base desse corpo teológico, via de regra, era o Credo dos Apóstolos, a Oração do Senhor, e os Dez Mandamentos. O pastor visitava os fiéis, fortalecendo sua fé por meio de exortações à devoção e incentivando-os se agarrar à mensagem das Escrituras.
A prática da catequese ganhou novo vigor a partir da Reforma do século XVI. A necessidade de instruir na fé os cristãos levou os mestres da igreja a produzir catecismos e confissões de fé que formaram, naquele período, um dos corpos mais ricos de doutrina cristã. Um exemplo da prática bem sucedida da catequese se viu em Richard Baxter, um ministro puritano contemporâneo de Thomas Watson, que foi um grande mestre do trabalho pastoral catequético. Durante seu ministério na pequena vila de Kiddermister, no interior da Inglaterra, mudanças profundas aconteceram por conta do zelo pastoral de Baxter. Diz-se que quando de sua chegada na cidade, “podia-se contar nos dedos de uma mão os que eram realmente piedosos, mas, ao fim de seu ministério naquela vila que tinha pouco mais de 3.000 habitantes, não havia uma única casa onde não houvessem crentes. Conta-se que, quando um viajante passava pelas ruas da cidade num certo horário do dia, podia-se ouvir de longe o canto de louvor que se proferia nas casas daquela vila”[1]. Em sua obra prima sobre a atividade pastoral, Baxter dá especial atenção ao trabalho catequético do pastor, dizendo o seguinte:
Nossa preocupação pastoral deve ser com todo o rebanho, com toda a comunidade. (…). Temos de nos dedicar aos indivíduos da igreja; precisamos conhecer cada pessoa que está a nosso cargo, pois como poderemos olhar por elas se não as conhecermos? (…). Nosso trabalho consiste em: confirmação, progresso, preservação, restauração e consolação[2].
Na prática pastoral de Baxter, ele tinha o propósito de “ensinar os pontos fundamentais da doutrina, para a edificação do cristão e sua progressão na fé e na verdade[3]”.
Por séculos, a teologia tem sido desenvolvida na igreja através das demandas pastorais e do estudo aplicado e disciplinado das Escrituras e o conhecimento teológico tem sido disseminado para os cristãos através da pregação e de uma catequese pastoral intencional e dirigida às necessidades do povo de Deus. Nossa geração precisa relembrar desse velho e eficiente princípio.
Ainda que a internet e o blog possam, efetivamente, oferecer uma boa palavra ao leitor ou ouvinte, a instrução sólida será aquela que é rotineira, pastoral, dominical, que envolve investimento de tempo e de atenção aos problemas reais que as pessoas experimentam. As pessoas precisam ser pastoreadas e os blogs não poderão fazer isso por elas. O pastor virtual terá uma ovelha virtual.
Da Igreja para fora: Alguns critérios para combinar blog e teologia
Tendo dito isto, preciso reconhecer que a internet oferece sim vantagens para a reflexão teológica. Fazemos bem em fazer uso desta ferramenta tão poderosa. Mas precisamos de balizas, de critérios, de sabedoria e discernimento se queremos oferecer um conteúdo que seja abençoador e edificante ao povo de Deus. Nesta parte final, quero propor 15 conselhos para o blogueiro cristão usar como princípio para seus textos e postagens:
1. O blogueiro precisa estar consciente do ambiente perigoso e sem nexo que é a internet e, assim, ser muito cuidadoso quanto à seleção de conteúdo e a linguagem escolhida para apresentá-lo aos seus leitores.
2. A produção de reflexões teológicas deve ser derivada e motivada pelo amor e zelo pela Palavra de Deus. Ele deve trabalhar seu texto para levá-lo de volta às Escrituras, instigando-o a desenvolver um espírito bereano.
3. A boa teologia sempre refletirá o ensino das Escrituras em resposta às demandas e preocupações pastorais e ministeriais.
4. Reflexão teológica deve ser parte do trabalho ministerial e não um fim em si mesmo.
5. O blogueiro cristão deve se lembrar de que a fé cristã não começou em sua própria geração. Ele deve buscar respaldo no longo e antigo séquito de fieis seguidores de Cristo ao longo da história.
6. Ele deve ter uma postura humilde e procurar trabalhar no âmbito de seus conhecimentos e experiência ministerial. (Pv 16.18)
7. O blogueiro cristão deve examinar seu próprio coração e discernir a motivação que o leva a produzir seu texto. Ele é resultado de que preocupação? O que o levou a produzir esta reflexão? Que propósito almeja?
8. O blogueiro cristão deve estar ligado a uma igreja local e ter comunhão com ela. Dificilmente ele terá algo a oferecer para o leitor se ele mesmo não for parte da comunidade visível de Deus na terra, a igreja.
9. O blogueiro cristão deve ser uma pessoa madura na fé, que produz seus textos de forma equilibrada, consciente e cuidadosa, buscando sempre a edificação do leitor.
10. O blogueiro cristão deve conhecer bem a teologia. Há muitos “teólogos de internet”, que obtiveram seu conhecimento doutrinário através da leitura da… internet. Sem o aprofundamento que a vida de igreja e a academia cristã oferecem, não é prudente se aventurar a produzir um blog de teologia.
11. O blogueiro cristão deve ser muito cuidadoso com a ética, especialmente no tratamento a outro irmão na fé. Deve lidar com o leitor virtual como se estivesse face a face com ele.
12. O blogueiro cristão deve refletir os valores da fé e da ética cristã em seus textos, procurando oferecer uma palavra boa, graciosa, verdadeira, firme e bíblica.
13. O blogueiro cristão deve ter cuidado para não se envolver em polêmicas vazias, denúncias sem propósitos, fofocas, intrigas e discussões áridas (Ef. 5.4).
14. O blogueiro cristão deve ter o discernimento de não tratar certos assuntos na internet. O blog nem sempre será o lugar mais apropriado para se tratar de assuntos mais espinhosos ou complexos da fé cristã. Não é lugar também para a exposição de dilemas e crises de fé (esse lugar é a oração e a comunhão com os santos, na Igreja). É preciso ter sensibilidade com o leitor que não domina certas matérias e com a possibilidade de causar tropeço aos novos na fé.
15. O escritor de blog deve ser alguém que lê bons livros teológicos e que está bem informado das tendências e pensamentos teológicos de sua própria época. Charles Spurgeon, o grande pregador britânico do século XIX, ao falar sobre a importância dos livros disse o seguinte:
“Paulo foi inspirado pelo Espírito, mas, ainda assim, quer livros! Ele esteve pregando por pelo menos 30 anos, mas, ainda assim, quer livros! Ele viu o Senhor, mas, ainda assim, quer livros! Ele foi arrebatado ao terceiro céu, e ouviu coisas que eram proibidas ao homem pronunciar, mas, ainda assim, quer livros! Ele escreveu a maior parte do Novo Testamento, mas, ainda assim, quer livros! O apóstolo disse a Timóteo e da mesma forma diz a todos os pregadores: ‘Aplica-te à leitura!`.
O homem que nunca lê, jamais será lido; aquele que nunca cita, jamais será citado. Aquele que nunca usa os pensamentos do cérebro de outros homens, prova que ele mesmo não tem cérebro. Irmãos, aquilo que é aplicável aos ministros também é verdade a todo o nosso povo. Você precisa ler. Renuncie o máximo possível todo tipo de leitura artificial, mas estude o máximo possível as sólidas obras teológicas, especialmente os escritores puritanos, e comentários da Bíblia. Estou completamente persuadido de que a melhor forma de você gastar o seu tempo de lazer é lendo e orando. Assim, você será capaz de extrair muitas informações dos livros, as quais depois poderão ser usadas como verdadeiras armas a serviço de seu Senhor e Mestre. Paulo clama: ‘Traga os livros`. Junte-se a ele nesse clamor.”[4]
O blogueiro cristão deve estar debaixo da convicção de que realmente tem algo importante a dizer, de que tem um conselho bom a dar, de que tem uma direção segura para apontar, de que sua palavra será relevante e útil para a edificação da Igreja e glória do Pai.
Que o Senhor nos ajude a fazer teologia com responsabilidade e a usar com sabedoria os meios que temos à nossa disposição para disseminar as imutáveis verdades do santo evangelho de Jesus Cristo.

[1] William Baker, Puritan Profiles (Mentor: Ross Shire, Scotland, 1999) p.289-290
[2] Richard Baxter, O Pastor Aprovado (Pes: São Paulo, SP, 1996) p.100;102
[3] Ibid. p. 139
[4] Ligon Duncan – citando C. H. Spurgeon [sermão 452 – Paul – His cloak and his books – 1882]; Amado Timóteo, ed. Tom Ascol. (Editora Fiel: São José dos Campos, SP, 2005).
g_capa_blogsPor Tiago J. Santos Filho. Trecho do livro: Blogs Evangélicos; O Impacto da Mensagem Cristã na Internet. 1a. Edição., organizado por Valmir Nascimento. Visão Cristocêntrica: Campina Grande [PB], 2013, pp70-71. Usado com Permissão.

sábado, 16 de março de 2013

Uma Palavra aos Pais


.

Arthur W. Pink


Uma das mais infelizes e trágicas características de nossa civilização é a excessiva desobediência aos pais da parte dos filhos, quando menores, e a falta de reverência e respeito, quando grandes. Infelizmente, isto se evidencia de muitas maneiras, inclusive em famílias cristãs. Em nossas abundantes viagens nestes últimos trinta anos, fomos recebidos em muitos lares. A piedade e a beleza de alguns deles ainda permanecem em nossos corações como agradáveis e singelas recordações. Outros lares, porém, nos transmitiram as mais dolorosas impressões. Os filhos obstinados ou mimados não apenas trazem para si mesmos perpétua infelicidade, mas também causam desconforto para todos que se relacionam com eles e prenunciam coisas ruins para os dias vindouros.


Na maioria dos casos, os filhos são menos culpados do que seus pais. A falta de honra aos pais, onde quer que a achemos, deve-se em grande medida aos pais afastarem-se do padrão das Escrituras. Atualmente, o pai imagina que cumpre suas obrigações ao fornecer alimento e vestuário para os filhos e, ocasionalmente, ao agir como um tipo de policial de moralidade. Com muita frequência, a mãe se contenta em desempenhar a função de uma criada doméstica, tornando-se escrava dos filhos, realizando várias tarefas que estes poderiam fazer, para deixá-los livres em atividades frívolas, ao invés de treiná-los a serem pessoas úteis. A consequência tem sido que o lar, o qual deveria ser, por causa de sua ordem, santidade e amor, uma miniatura do céu, degenerou-se em "um ponto de parada para o dia e um estacionamento para a noite", conforme alguém, sucintamente, afirmou.


Antes de esboçarmos os deveres dos pais em relação aos filhos, devemos ressaltar que eles não podem disciplinar adequadamente seus filhos, a menos que primeiramente tenham aprendido a governar a si mesmos. Como podem eles esperar que a obstinação de suas crianças sejam dominadas e controladas as manifestações de ira, se eles mesmos dão livre curso à seus próprios sentimentos. O caráter dos pais é amplamente reproduzido em seus descendentes. "Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem" (Gn 5.3). Os pais devem, eles mesmos, viver em submissão a Deus, se desejam obediência da parte de seus filhos. Este princípio é enfatizado muitas e muitas vezes nas Escrituras. "Tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo?" (Rm 2.21). A respeito do pastor ou presbítero da igreja está escrito que ele tem de ser alguém "que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)" (1 Tm 3.5). E, se um homem ou uma mulher não sabem como dominar seu próprio espírito (Pv 25.28), como poderão cuidar de seus filhos?


Deus confiou aos pais um solene e valoroso privilégio. Não exageramos ao afirmar que em suas mãos estão depositadas a esperança e a bênção ou a maldição e a ruína da próxima geração. Suas famílias são os berçários da Igreja e do Estado, e, de acordo com o que agora cultivam, tais serão os frutos que colherão posteriormente. Eles deveriam cumprir seu privilégio com bastante diligência e oração. Com certeza, Deus lhes pedirá contas referentes à maneira de criarem seus filhos, que a Ele pertencem, sendo-lhes confiados para receberem cuidado e preservação. A tarefa que Deus confiou aos pais não é fácil, em especial nestes dias excessivamente maus. Entretanto, poderão obter a graça de Deus, se a buscarem com sinceridade e confiança. As Escrituras nos fornecem as regras pelas quais devemos viver, as promessas das quais temos de nos apropriar e, precisamos acrescentar, as terríveis advertências, para que não realizemos essa tarefa de maneira leviana.


Instrua seu filho

Queremos mencionar aqui quatro dos principais deveres confiados aos pais. Primeiro, instruir seus filhos. "Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te" (Dt 6.6-7). Este dever é sobremodo importante para ser transferido aos outros; Deus exige dos pais, e não dos professores da Escola Dominical, a responsabilidade de educarem seus filhos. Tampouco essa tarefa deve ser realizada de maneira esporádica ou ocasional, mas precisa receber constante atenção. O glorioso caráter de Deus, as exigências de sua lei, a excessiva malignidade do homem, o maravilhoso dom de seu Filho e a terrível condenação que será a recompensa de todos aqueles que O desprezam e rejeitam; estas coisas precisam ser apresentadas constantemente aos filhos. "Eles são pequenos demais para entendê-las" é o argumento de Satanás, visando impedir os pais de cumprirem seu dever.

"E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Ef 6.4). Temos de observar que os "pais" são especificamente mencionados neste versículo, por duas razões: eles são os cabeças das famílias e o governo desta lhes foi confiado; os pais são inclinados a transferir sua responsabilidade às esposas. Essa instrução deve ser ministrada através da leitura da Bíblia e de explicar aos filhos as coisas adequadas à sua idade. Isto deveria ser acompanhado de ensinar-lhes um catecismo. Um constante falar aos mais novos não se mostra tão eficiente quanto a diversificação com perguntas e respostas. Se nossos filhos sabem que serão questionados após ou durante a leitura bíblica, ouvirão mais atentamente: fazer perguntas os ensina a pensarem por si mesmos. Este método também leva a memória a reter mais os ensinos, pois o responder perguntas definidas fixa ideias específicas em nossas mentes. Observe quantas vezes Jesus fez perguntas aos seus discípulos.


Seja um bom exemplo


Segundo, boas instruções precisam ser acompanhadas de bons exemplos. O ensino proveniente apenas dos lábios provavelmente será ineficaz. Os filhos são espertíssimos em detectar inconsistências e rejeitar a hipocrisia. Neste aspecto, os pais precisam humilhar-se diante de Deus, buscando todos os dias a graça que, desesperadamente, necessitam e somente Ele pode dar. Que cuidado eles precisam ter, para que diante de suas crianças não digam e façam coisas que tendem a corromper suas mentes ou produzam más consequências, se elas as imitarem! Os pais necessitam estar constantemente alertas contra aquilo que pode torná-los desprezíveis aos olhos daqueles que deveriam respeitá-los e honrá-los. Não apenas devem instruir seus filhos no caminho da santidade, mas eles mesmos devem andar neste caminho, mostrando por sua prática e conduta quão agradável e proveitoso é ser orientado pela lei de Deus.



No lar de pessoas crentes, o supremo alvo deve ser a piedade familiar, honrar a Deus em todas as ocasiões, e as outras coisas, subordinadas a este alvo. Quanto à vida familiar, nem o esposo nem a esposa deve transferir para o outro toda a responsabilidade pelo aspecto espiritual da vida da família. A mãe, com certeza, tem a incumbência de suplementar os esforços do pai, pois os filhos desfrutam mais de sua companhia. Se existe a tendência de os pais serem muito rígidos e severos, as mães são propensas a serem muito brandas e clementes; portanto, têm de vigiar mais contra qualquer coisa que enfraquecerá a autoridade do pai. Quando este proibir alguma coisa, ela não deve consenti-la às crianças. É admirável observar que a exortação dada em Efésios 6.4 é precedida por "Enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18); enquanto a exortação correspondente em Colossenses 3.21 é precedida por "habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo" (v. 16), demonstrando que os pais não podem cumprir seus deveres, a menos que estejam cheios do Espírito Santo e da Palavra de Deus.


Discipline seu filho


Terceiro, a instrução e o exemplo precisam ser reforçados mediante a correção e a disciplina. Antes de tudo, isto implica no exercício de autoridade, a correta aplicação da lei divina. A respeito de Abraão, o pai dos fiéis, Deus afirmou: "Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito" (Gn 18.19). Pais crentes, meditem nestas palavras com cuidado. Abraão fez mais do que simplesmente dar conselhos: ele ensinou com vigor a lei de Deus e ordenou sua casa. As regras com que ele administrou seu lar tinham o objetivo de seus filhos guardarem "o caminho do SENHOR", aquilo que era correto aos olhos de Deus. Este dever foi cumprido pelo patriarca, a fim de que a bênção de Deus estivesse sobre sua família. Nenhuma família pode crescer adequadamente sem leis familiares, que incluem recompensas e castigos. Isto é especialmente importante na primeira infância, quando ainda o caráter moral não está formado e as crianças não apreciam ou entendem seus motivos morais.

As regras devem ser simples, claras, lógicas e flexíveis, tais como os Dez Mandamentos, poucas, mas relevantes regras morais, ao invés de centenas de restrições insignificantes. Uma das maneiras de provocarmos desnecessariamente nossos filhos à ira é atrapalhá-los com muitas restrições insignificantes e regras detalhadas e arbitrárias, procedentes de pais perfeccionistas. É de vital importância para o bom futuro dos filhos que estes sejam trazidos em submissão desde cedo. Uma criança malcriada representa um adulto ímpio. Nossas prisões estão superlotadas com pessoas que tiveram a liberdade de seguirem seus próprios caminhos durante sua infância. A mais leve ofensa de uma criança quebrando as regras do lar não deve ficar sem a devida correção; pois, se ela achar clemência ao transgredir uma regra, esperará a mesma clemência em relação a outras ofensas, e sua desobediência se tornará mais frequente, até que os pais não tenham mais controle, exceto através do exercício de força brutal.


O ensino das Escrituras é claro quanto a este assunto. "A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela" (Pv 22.15; ver também 23.13-14). Por isso, Deus afirmou: "O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina" (Pv 13.24). E, ainda: "Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo" (Pv 19.18). Não permita que uma afeição insensata o impeça de cumprir seu dever. Com certeza, Deus ama seus filhos com um sentimento paternal mais profundo do que você ama seus filhos, mas Ele nos diz: "Eu repreendo e disciplino a quantos amo" (Ap 3.19; cf. Hb 12.6). "A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe" (Pv 29.15). A severidade tem de ser utilizada nos primeiros anos de uma criança, antes que a idade e a obstinação endureçam-na contra o temor e a pungência da correção. Poupe a vara e você arruinará seu filho; não a utilize e terá de sofrer as consequências.

É quase desnecessário salientar que as Escrituras citadas anteriormente não têm o propósito de incutirmos a ideia de que nosso lar deve ser caracterizado por um reino de terror. Os filhos podem ser governados e disciplinados de tal maneira, que não percam o respeito e as afeições por seus pais. Estejamos atentos para não estragarmos seus temperamentos, por fazermos exigências ilógicas, e provocá-los à ira, por castigá-los expressando nossa própria ira. O pai tem de punir um filho desobediente não porque ficou bravo, e sim porque é correto fazer isso, Deus o exige, bem como a rebeldia de seu filho. Nunca faça uma ameaça, se não tenciona cumpri-la. Lembre que estar bem informado é bom para seu filho, mas ser bem controlado é ainda melhor.

Esteja atento às inconscientes influências que cercam seu filho. Estude meios para tornar seu lar atraente, não pela utilização de recursos carnais e mundanos, mas por servir- se de ideais nobres, por incutir-lhes um espírito de altruísmo e desenvolver uma comunhão agradável e feliz. Não permita que seus filhos se associem a más companhias. Verifique cautelosamente as revistas e livros que entram em seu lar, observe os amigos que ocasionalmente seus filhos convidam para vir ao lar e as amizades que eles estabelecem. Antes mesmo de o reconhecerem, muitos pais permitem seus filhos relacionarem-se com pessoas que arruínam a autoridade paternal, transtornam seus ideais e semeiam frivolidade e pecado.


Ore por seus filhos


Quarto, o último e mais importante dever, no que se refere ao bem-estar físico e espiritual de seus filhos, é a intensa súplica a Deus em favor deles. Sem isto, todos os outros deveres são ineficazes. Os meios são inúteis, exceto quando o Senhor os abençoa. O trono da graça tem de ser fervorosamente buscado, para que sejam coroados de sucesso os nossos esforços em educar os filhos para a glória de Deus. É verdade que precisa haver uma humilde submissão à soberana vontade de Deus, um prostrar-se ante a verdade da eleição. Por outro lado, o privilégio da fé consiste em apropriar-se das promessas divinas e em recordar que a ardente e eficaz oração de um justo produz muitos resultados. A Bíblia nos diz que o piedoso Jó "chamava...a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles" (Jó 1.5). Uma atmosfera de oração deve permear o lar e ser respirada por todos os que dele compartilham.



Arthur W. Pink (1886-1952) foi um dos autores evangélicos mais influentes da segunda metade do século XX. Erudito bíblico de persuasão reformada e puritana, Pink escreveu várias obras literárias e pastoreou diversas igrejas nos EUA, além de ter servido como ministro na Inglaterra e Austrália.
 
Fonte: Editora Fiel
.